Vacina da dengue do Butantan mantém eficácia por mais de 3 anos
Escrito por Gustavo Arantes Silva em 07/08/2024

A vacina contra a dengue do Instituto Butantan manteve a eficácia e o perfil de segurança no período de 3,7 anos, segundo os resultados do estudo clínico no Brasil divulgados na última segunda-feira (5) no periódico científico The Lancet Infectious Diseases.
Mais importante, o imunizante mostrou uma proteção elevada (89%) contra os casos de dengue grave ou dengue com sinais de alerta, independentemente de maior risco de hospitalização.
“Os resultados confirmam a eficácia de somente uma dose da nova vacina da Dengue do Instituto Butantan, agora com 3,7 anos de acompanhamento”, afirma Esper Kallás, diretor do instituto e coordenador da pesquisa.
No estudo, foram incluídos 16.235 participantes de 2 a 59 anos entre 22 de fevereiro de 2016 e 5 de julho de 2019 que não haviam sido previamente vacinados contra a dengue para receber aleatoriamente a vacina, de dose única, ou uma injeção contendo uma substância placebo (inócua). A primeira análise dos participantes, divulgada no começo do ano, indicou uma eficácia de quase 80% (79,5%) da vacina em proteger contra uma infecção pelo vírus da dengue em até dois anos.
O novo artigo traz a segunda análise do ensaio, com a média de acompanhamento de 3,7 anos (2 a 5 anos), e apresentou uma leve diminuição na eficácia geral da vacina, de 67,3% para os tipos 1 e 2 combinados. Contra a dengue tipo 1, a eficácia foi maior, de 75,8%, e de 59,7% contra o tipo 2. Não houve eficácia para os tipos 3 e 4 porque não foram detectados casos desses sorotipos no período.
“Dada a alta eficácia contra o tipo 1, e considerando que a vacina utiliza os três tipos 1, 3 e 4 inteiros [e um pedaço do tipo 2], nós podemos esperar, é claro que não é certeza, mas é uma expectativa bem plausível, de que a eficácia contra esses dois tipos [3 e 4] também seja elevada”, explica Nogueira.
A dengue é uma doença viral em sua maioria dos casos leves, mas a ocorrência de uma segunda infecção por outro sorotipo pode levar a casos graves. Existem quatro sorotipos do vírus (1, 2, 3 e 4), e a pessoa infectada por um tipo pode ainda contrair uma nova infecção pelos outros três.
Este ano, o Brasil registrou 6,49 milhões de casos de dengue, segundo o Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde, com 5.008 mortes, até esta terça.
Para Maurício Nogueira, virologista e professor da Faculdade de Medicina de Rio Preto e primeiro autor do estudo, esse é um dado importante porque o impacto na saúde pública dos casos graves -e hospitalizações- é o que sobrecarrega o sistema. “No primeiro acompanhamento, de dois anos, não tínhamos casos confirmados de dengue grave, e agora temos, com uma proteção de quase 90%, então isso é muito bom”, afirma.
Além disso, o acompanhamento por um período mais longo permitiu intensificar a análise sobre o perfil de segurança do imunizante. Apenas 6,2% dos participantes reportaram efeitos adversos da vacina, similar ao do grupo que recebeu o placebo (6,6%).
“A vacina do Butantan apresenta uma maior proteção por mais tempo e em dose única. E o mais importante, nesse período, de 3,7 anos, foi quando as outras vacinas começaram a apresentar problemas de segurança, e nós não observamos nenhuma alteração. É um dado extremamente positivo”, avalia.
O que faltam agora, diz o pesquisador, são dados de eficácia na população acima de 60 anos, que é um grupo de alta vulnerabilidade para a doença, com muitos óbitos e maior risco de hospitalização.
FONTE: FOLHA DA REGIÃO
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